Arquitectura

3.Fortificações da Praça de Valença do Minho Valença, Paiol do Campo de Marte –  Projecto de reutilização e adaptação a posto de Turismo (Built)

O Paiol do Campo de Marte, encontra-se localizado nas Fortificações da Praça de Valença do Minho. Estas estão classificadas como “Monumento Nacional” pelo Dec. Nº15178, DG 60 de 14 de Março, tendo sido definida pelo DG nº 290 de 13 de Dezembro, uma “Zona Especial de Protecção”. O objectivo foi controlar qualitativamente a construção no seu interior e, conjuntamente, preservar o conjunto fortificado na sua leitura de matriz profundamente defensiva.

O conjunto das fortificações é propriedade do Estado, integrando no seu interior o Antigo núcleo Urbano.

As Fortificações de Valença do Minho constituem ainda uma das Praças mais importantes do género e na sua época em Portugal. Dado o seu valor patrimonial, inicia-se em 1937 obras de grande monta pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, obras que decorrem até os anos 60, culminando com a publicação do Boletim nº115 da DGEMN 1964.

De uma forma sucinta, o Paiol de Campo de Marte, erguido na gola do baluarte de São Jerónimo da Coroada, junto à porta da mesma obra da fortificação, possui planta composta por dois espaços de planta rectangular dispostos paralelamente, separados por espessos muros, o virado a N., correspondendo a uma antecâmara, mais pequena, e o a S., correspondendo a uma célula de armazenamento, envolvidas por anteparo de protecção, alto, rasgado frontalmente por portal e possuindo na fachada posterior pilar saliente mais alto. O acesso às salas, ambas cobertas por abóbada de berço e exteriormente com telhado de quatro águas, faz-se lateralmente, por dois portais de verga recta rasgados na antecâmara, interligando-se esta à célula por vão central rectangular, que possuía duplas portas; a célula é percorrida interiormente por baliléu e exteriormente tem dois contrafortes quadrangulares.

O Paiol de Campo de Marte foi construído possivelmente em meados do século XVIII, depois da construção da Coroada, não se conhecendo, por enquanto, documentação específica relativa à sua edificação.

Em 1713, o Paiol surge representado pela primeira vez numa planta de Manuel Pinto Vilalobos, mas na gola do baluarte de Santa Ana, possivelmente apontando uma primeira hipótese de implantação. Um desenho de 1758, de Gonçalo Luís da Silva Brandão, não representa ainda o Paiol do Campo de Marte. Ele só surge pouco depois na planta de Champalimaud de Nussane, datada de 1765, devidamente localizado na gola do baluarte de São Jerónimo. Isto levanta alguns problemas de datação, uma vez que, apesar do Paiol não ser representado cartograficamente a não ser a partir desta data e do próprio ferrolho da porta possuir uma data ainda mais tardia, 1774, sobre o portal da entrada existe o brasão dos Ataídes, atribuído ao Governador das Armas do Minho e Alentejo, D. João Diogo de Sousa e Ataíde, que faleceu a 11 de Abril de 1740. Portanto, apesar de se desconhecer a data exacta da construção do Paiol, ela deve situar-se em meados de setecentos

A primeira planta geral da fortaleza com um traçado mais correcto do Paiol data de 1809 e as específicas do imóvel datam de 13 de Julho de 1853, altura em que se fez um esboço e corte do Paiol mostrando a acção do pára-raios, e duas outras de Março de 1864, todas existentes no Gabinete de Estudos Arqueológicos de Engenharia Militar. Estas plantas apresentam como diferença, comparativamente ao traçado actual, o anteparo na fachada posterior ser semi-circular à volta do pilar quadrangular de sustentação do pára-raios e da caixa aberta no chão onde se fazia a “ligação à terra”, conforme ainda o documentam uma planta de 1960 e algumas fotografias da DGEMN.

O desenho com maior pormenorização e informação do sistema construtivo do Paiol é o que encontramos no Arquivo na DGEMN (actualmente extinto), publicado no boletim de 1964, representando o sistema de ventilação e arejamento da célula de armazenamento, o qual era constituído por condutas no interior dos muros que canalizam o ar de um pequeno número de frestas no exterior da célula para um maior número de frestas rasgadas interiormente.

Proposta de intervenção

O novo Posto de Turismo proposto para reutilização do Paiol do Campo de Marte será uma intervenção composta por duas partes distintas.

A primeira corresponde a uma construção nova que ocupa grande parte do espaço livre disposto entre o edifício do Paiol e os muros exteriores deste, pelo facto de esta ser a área livre do imóvel para colocar a parte significativa do programa do novo Posto de Turismo. Trata-se de um corpo composto por quatro volumes, sendo que dois deles se destacam em termos altimétricos dos restantes, e os dois restantes são simétricos entre si. O corpo mais alto destina-se a ser um espaço tipo “guarda-vento” que comunica com a porta de entrada no recinto do Paiol, que por sua vez dá acesso a um espaço de recepção que distribui para os restantes dois volumes. Num deles encontrar-se-á o atendimento geral dos visitantes do Posto de Turismo, onde se propõe a existência de um espaço de estar para consulta de folhetos informativos, um balcão e armários de apoio, e no outro funcionará o “back-office” do serviço, com sanitário equipado para deficientes, secretária e armário de apoio.

Esta construção nova será realizada em materiais modernos, com predominância do ferro e vidro. Será uma intervenção que se destacará da construção existente pela própria natureza dos materiais empregues, e que intenta danificar o menos possível o existente, daí a nova proposta não contemplar o contacto com os paramentos do existente, com excepção apenas dos pontos de ligação com os vãos do Paiol. Estes, como momentos singulares que representam, são reforçados espacialmente com a construção de paramentos em ferro e com a introdução de clarabóias na cobertura, que se repetem também na articulação do volume mais alto da recepção com os outros dois corpos propostos, numa clara alusão também ao princípio da simetria que se encontra presente na composição e organização desta nova construção e no edificado existente.

A segunda parte corresponde a uma intervenção nas duas salas do espaço interior do Paiol. Numa delas propõe-se a realização de uma área de leitura com exposição de livros sobre a região, de autores locais, etc, destinados a venda. Noutra propõe-se a instalação de móveis destinados a expor produtos locais, tais como vinhos, peças de artesanato, etc, também destinados a venda ao público.

Como suporte a estas duas intervenções é proposto também a realização de um compartimento para arrumos no espaço compreendido entre as duas pilastras das traseiras da construção do Paiol.

2. Igreja do Mosteiro de Landim, Vila Nova de Famalicão, Tratamento dos Espaços Exteriores, Execução do Dreno e Diversos

A extinta DREMN teve por objectivo a execução do plano de obras de conservação da Igreja do Mosteiro de Landim. Na sequência do Diagnóstico de Patologias e proposta de conservação do imóvel, realizado em Julho de 2002 e das intervenções que entretanto se foram realizando, seguiu-se uma nova proposta que incluiu as obras de tratamento dos espaços exteriores, a execução do dreno e algumas intervenções pontuais.

O mosteiro trata-se de um imóvel implantado em ambiente rural, junto ao largo da feira, com origem em antiga unidade agrária romana, fundado entre o século IX e finais do século XII, tendo sido reconstruído no século XIII e acrescido de torre sineira e nave colateral no século XV/XVI.  É composto por igreja de planta longitudinal, de nave única e capela-mor, torre sineira quadrada, anexos adossados à fachada lateral Norte e dependências conventuais a Sul. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de 2 águas na igreja e de 4 no convento. A fachada principal da igreja, orientada a Oeste, é precedida por galilé aberta por 3 arcos. Nesta fachada inserem-se três nichos com a figura de Nossa Senhora, ladeada por Santo Agostinho e São Teotónio. A cornija da nave e capela-mor assenta sobre arcatura. No interior a igreja é assimétrica e possui coro-alto e órgão no lado do Evangelho. Possui ainda claustro de planta quadrada e de 2 pisos, sendo o primeiro aberto, com colunas sobre murete, e o segundo fechado, com janelas de sacada. O aparelho integra aqui, no entanto, alguns colunelos, reveladores de antigos vãos ou até mesmo de uma colunata sobre muro mais alto. A cobertura das alas é feita em madeira, formando caixotões.

 

Estado de conservação

Os espaços exteriores adjacentes à Igreja apresentavam-se menosprezados no que diz respeito a uma qualidade e funcionalidade efectivas, no acesso ao imóvel e no próprio reconhecimento e usufruto dos mesmos. Na igreja destacava-se a humidade capilar nas paredes nascente/sul da sacristia e capela-mor.No interior da Igreja faltavam algumas obras para concluir e reparar trabalhos iniciados em empreitadas anteriores.

 

 Proposta de intervenção

A intervenção consistiu em estabelecer um espaço de recepção, de adro, à igreja, pavimentado em calçada à portuguesa em grande parte da sua extensão, com excepção do espaço defronte da fachada principal que será realizado com um lajeado em granito, e um outro espaço, com áreas relvadas e percursos em saibro, entre a igreja e o futuro centro paroquial.

 

Foi definida uma faixa ao longo da capela-mor e nave colateral em gravilha, onde será mantido e reposicionado todo o material pétreo relevante existente, incluindo as sepulturas pertencente ao antigo cemitério.Os arcos românicos e algumas roseiras, actualmente dispersos no jardim existente, serão reposicionados num novo espaço definido como roseiral, na proximidade da nova faixa definida e da fonte existente.Estes assentarão numa base em granito e nos seus apoios será  colocada uma peça em ardósia .

O espaço de jardim será composto por duas áreas relvadas com sistema de rega automática, por um espelho água e por quatro percursos em saibro, dois transversais e dois longitudinais.Com esta ligação criou-se um novo canal de água ao longo do novo jardim, que desemboca num espelho de água disposto no limiar da fronteira entre os dois grandes espaços propostos.

O percurso em saibro disposto defronte do novo espelho de água pretende dar alguma continuidade ao novo espaço proposto entre a Igreja e o futuro Centro Paroquial para o espaço de adro em calçada. Este percurso encontra-se de nível com um dos percursos existentes no seu extremo norte e na restante área da sua extensão encontra-se desnivelado. Junto à torre é proposta uma escadaria que vence 84 cm de altura, de acordo com os desenhos de pormenor em anexo.

Os acessos às partes privadas do mosteiro foram mantidos,  pavimentados com calçada à portuguesa.

Serão plantadas oliveiras em torno do largo de acesso à igreja, na continuidade da alameda, em torno do espaço de jardim (oliveiras existentes no jardim serão reposicionadas) e no topo nascente, junto aos paramentos do mosteiro, de acordo com os desenhos em anexo.A plantação das oliveiras justifica-se em memória ao antigo olival do mosteiro, posicionado na presente área de intervenção deste projecto.

Legenda:
 

1. Levantamento e projecto de conservação da Igreja de Santa Maria dos Anjos, Valença do Minho, 2003 – não construído (projecto em colaboração com as arquitectas Teresa Ricardo e Teresa Ferreira)

A DREMN teve por objectivo a execução do plano de obras de conservação da Igreja do de Santa Maria dos Anjos. Na sequência do diagnóstico de patologias e proposta de conservação do imóvel, realizado em Novembro de 2003, segui-se uma proposta de projecto com um conjunto de intervenções nas quais se incluiram as obras de tratamento e conservação da Igreja.